Foto: Julia Luiza

Se você acha que a República Dominicana se resume apenas às praias de Punta Cana, não poderia estar mais errado. Santo Domingo não é apenas a capital do país, mas também a porta de entrada para muitos brasileiros e um destino que respira história. Passei 3 dias explorando essa cidade vibrante e descobri que, mesmo sem mergulhos no mar, a capital oferece uma experiência inesquecível.

Neste Guia:

  1. Sobre Santo Domingo
  2. Como se Locommover
  3. Culinária em Santo Domingo
  4. Roteiro - Dia 1
  5. Roteiro - Dia 2
  6. Roteiro - Dia 3
Santo Domingo | Foto: Julia Luiza

A maioria dos voos que saem do Brasil com destino à República Dominicana fazem escala ou desembarcam em Santo Domingo, o que torna a cidade uma parada estratégica - e imperdível - antes de seguir para os resorts. No nosso caso, aproveitamos essa logística para passar 3 dias explorando a capital antes de embarcarmos no cruzeiro que fizemos pelo Caribe. Foi uma decisão certeira, pois descobrimos um destino fascinante que vai muito além da vida de praia.

Santo Domingo | Foto: Julia Luiza

É importante alinhar as expectativas: diferentemente das águas cristalinas de Punta Cana, o mar na orla da cidade não é recomendável para banho ou mergulho, pois é muito agitado e perigoso. Mas não deixe isso te desanimar! Santo Domingo compensa (e muito) com o título de cidade mais antiga do “Novo Mundo”, abrigando as primeiras ruas pavimentadas, catedrais e hospitais das Américas.

Foto: Julia Luiza

Neste roteiro, vou te mostrar que a capital tem muito a oferecer para quem busca cultura e experiências autênticas. De caminhadas pela histórica Zona Colonial a uma gastronomia deliciosa, Santo Domingo provou ser um destino rico e vibrante.

Sobre Santo Domingo

Muito mais do que a capital da República Dominicana, Santo Domingo carrega o título de primeira cidade europeia das Américas. Fundada em 1496 por Bartolomeu Colombo (irmão de Cristóvão Colombo), ela serviu como a primeira sede do império colonial espanhol no "Novo Mundo" e permanece, até hoje, como o assentamento europeu habitado continuamente mais antigo do continente.

Todo esse peso histórico se traduz em uma herança cultural impressionante, fazendo com que cada esquina da cidade conte uma parte da história da colonização. Atualmente, Santo Domingo é um dos maiores centros urbanos e o principal pólo econômico do Caribe e América Central. Mas nem só de glórias vive a sua história: a cidade também carrega as cicatrizes de 31 anos da brutal ditadura de Trujillo, época em que sua identidade foi temporariamente apagada e ela passou a ser chamada de "Ciudad Trujillo".

Foto: Julia Luiza

Como se Locomover

Embora Santo Domingo conte com opções de transporte público, como metrô, ônibus e as famosas "guaguas", minha escolha principal para me deslocar pela cidade foi o Uber, e recomendo fortemente que seja a sua também.

Aqui vai um resumo das opções e por que preferimos o aplicativo:

  • Uber: Foi a nossa salvação. O serviço funciona super bem na cidade, os carros costumam ser mais novos e limpos do que os táxis comuns e, o melhor de tudo, é bem mais barato. Além da segurança de não precisar negociar preço ou carregar dinheiro vivo, já que dá para pagar no cartão pelo app, você evita o risco de pegar táxis não oficiais na rua, que podem ser perigosos.

  • A Pé: Caminhar é uma delícia, mas apenas na Zona Colonial e no Malecón. Nessas áreas turísticas, é tranquilo e você consegue ver tudo com calma. Fora dali, as calçadas muitas vezes são precárias (ou inexistentes) e o trânsito não respeita muito o pedestre.

  • Transporte Público (Metrô e Ônibus): A cidade tem duas linhas de metrô que são modernas e baratas, mas elas não cobrem toda a cidade e podem não te deixar perto das atrações turísticas. Já os ônibus e as "guaguas", vans compartilhadas que param em qualquer lugar, são extremamente baratos, mas podem ser confusos, desconfortáveis e difíceis de entender se você não estiver com um local.

  • Aluguel de Carro: Sinceramente? Não recomendo. O trânsito em Santo Domingo é caótico e as regras nem sempre são respeitadas. Além disso, qualquer pequeno acidente pode virar uma dor de cabeça enorme, ainda mais em um país estrangeiro. O custo-benefício e a paz de espírito do Uber valem muito mais a pena.

Calle Las Damas | Foto: Julia Luiza

Culinária em Santo Domingo

A culinária dominicana é uma mistura vibrante de influências espanholas, africanas e taínas, resultando em pratos cheios de sabor e tempero. Em Santo Domingo, comer bem não é difícil e nem precisa ser caro. A comida local é muito baseada em "sustância", com pratos que garantem energia para bater perna o dia todo.

Aqui estão alguns clássicos que você vai encontrar em quase todos os menus:

  • La Bandera: O prato nacional e o almoço oficial dos dominicanos. É composto pela trindade: arroz branco, feijão (habichuelas) e carne (geralmente frango ou carne bovina guisada), muitas vezes acompanhado de salada e tostones (banana frita).

  • Mangú: O rei do café da manhã. É um purê feito de banana-da-terra verde cozida, servido tradicionalmente com cebola roxa refogada, queijo frito e salame dominicano. É uma experiência cultural por si só!

  • Mofongo: De herança africana, é feito com bananas fritas amassadas no pilão com alho, azeite e chicharrón (torresmo). Pode ser servido puro ou acompanhado de algum caldo ou carne.

Apesar de todas essas opções deliciosas, se tem duas coisas que viraram nosso vício nessa viagem e ganharam um lugar especial no coração da minha família, foram a Limonada de Coco e as Empanadas.

A limonada de coco deles é simplesmente divina e diferente de tudo que já provamos: super cremosa, doce na medida certa e incrivelmente refrescante para aliviar o calor caribenho. Já as empanadas locais se tornaram o nosso lanche oficial. As que provamos eram assadas, com uma massa leve e recheios variados (queijo, carne, frango, vegetais). Além de serem uma delícia, são super baratas e perfeitas para comer rapidinho enquanto você caminha de um ponto turístico para outro. Não deixe de provar!

Dica: As tomadas na República Dominicana seguem o padrão americano (tipo A e B, de pinos chatos) e a voltagem é 110V. Como o nosso padrão brasileiro é diferente, não esqueça de levar adaptadores de tomada para conseguir carregar seus eletrônicos e verifique se seus aparelhos, como secadores e chapinhas, são bivolt ou compatíveis com a voltagem local.

Roteiro - Dia 1: Zona Colonial

Se você só tem um dia na cidade, a melhor visita com certeza vai ser a Zona Colonial. Chegamos lá por um uber com destino para a La Puerta del Conde, o local exato onde a independência da República Dominicana foi proclamada e onde fica o Altar da Pátria, guardando os restos mortais dos fundadores do país. É um ponto de partida simbólico e emocionante para o passeio.

La Puerta del Conde | Foto: Julia Luiza

De lá, basta atravessar a rua para chegar na Calle el Conde, por onde começa o centro histórico, e de lá dá pra fazer tudo a pé. Foi naquela rua que comemos as melhores empanadas da viagem no Mix Empanadas, voltamos lá duas vezes para repetir os pedidos. Foi lá também que comprei algumas semijoias para guardar de recordação da cidade.

Dica: Sempre falam sobre a segurança em locais turísticos e movimentados, mas senti que na cidade o básico que todo brasileiro já faz funciona: fique sempre atento e não dê bobeira quando estiver segurando os seus pertences.

Caminhando pela Calle el Conde, você chegará ao coração da Zona Colonial: o Parque Colón. É uma praça super arborizada e animada, com uma estátua de Cristóvão Colombo no centro. Bem em frente fica a Catedral Primada de América, que impressiona não só pela arquitetura gótica, mas pelo peso histórico de ser a primeira catedral construída no Novo Mundo, datada de 1514.

Catedral Primada de América | Foto: Julia Luiza

Seguindo o passeio, visitamos a Fortaleza Ozama, o forte militar mais antigo das Américas, construído no século XVI. A visita vale muito a pena, principalmente pela vista panorâmica do Rio Ozama e da cidade que se tem do alto da torre principal, acessível por uma escada em espiral. Infelizmente, quando fomos ela estava passando por uma renovação então não conseguimos entrar, mas mesmo assim foi muito legal de ver.

Fotaleza Ozama | Foto: Julia Luiza

Outro ponto imperdível é o palácio que serviu de residência para Diego Colón, filho de Cristóvão Colombo, o Alcázar de Colón. Hoje funciona como um museu com móveis e objetos da época colonial. De lá, caminhe pela Calle Las Damas, considerada a primeira rua pavimentada do Novo Mundo! Nela você encontra o Panteão Nacional, um edifício imponente onde estão enterrados os heróis nacionais e que tem uma atmosfera de muito respeito e solenidade.

Roteiro - Dia 2: Parque Nacional Los Tres Ojos e Faro a Colón

Se você tiver um segundo dia disponível para explorar a cidade, recomendo que visite o Parque Nacional Tres Ojos e, se sobrar tempo e energia, o Faro a Colón.

Parque Nacional Los Tres Ojos

Para chegar lá, a melhor opção foi pedir um Uber. A corrida saindo da Zona Colonial é rápida (cerca de 15 a 20 minutos) e barata, valendo muito mais a pena do que tentar se aventurar com transporte público ou fechar passeios caros com agências. O motorista nos deixou bem na portaria.

Parque Nacional Los Tres Ojos | Foto: Julia Luiza

Assim que chegamos, fomos direto à bilheteria pagar as entradas. O valor é super acessível - cerca de 200 pesos dominicanos, algo em torno de 4 dólares - e só aceitam dinheiro em espécie, então vá prevenido.

O parque é, na verdade, uma caverna de calcário a céu aberto com lagos subterrâneos de uma cor azul impressionante. O nome "Três Olhos" vem dos três lagos principais que você visita logo de cara, mas existe um segredo que vou contar já já.

Parque Tres Ojos | Foto: Julia Luiza

A estrutura é bem feita, com escadarias e caminhos pavimentados, mas prepare as pernas: são muitos degraus para descer e subir em um ambiente bem úmido.

Os Lagos

  • Lago de Azufre: O primeiro que você vê. Tem esse nome porque acreditavam que a cor azulada e o cheiro vinham do enxofre, mas estudos mostraram que é apenas cálcio e outros minerais. É lindo e já garante ótimas fotos.

  • La Nevera: O segundo lago é conhecido como "A Geladeira" porque a luz do sol nunca bate diretamente nele, deixando a água bem mais gelada que nos outros.

  • El Lago de las Damas: O terceiro, menor e mais escondido, costumava ser usado como banho exclusivo para mulheres antigamente.

O Quarto Lago (O Segredo!)

Apesar do nome do parque, a cereja do bolo é o quarto lago, chamado Los Zaramagullones. Ele não fica visível no circuito principal. Para chegar lá, você precisa pegar uma pequena balsa de madeira que atravessa o lago La Nevera.

Geralmente, cobra-se uma pequena taxa extra (coisa de 50 pesos) para fazer essa travessia, e vale cada centavo! Ao desembarcar do outro lado, você dá de cara com um lago a céu aberto, cercado por uma vegetação verde vibrante e paredões de pedra. É o cenário mais cinematográfico do passeio - dizem até que cenas de filmes como Tarzan e Jurassic Park foram filmadas ali.

Dicas para o passeio: Para aproveitar melhor a visita, recomendo ir de tênis, já que o chão das cavernas pode ser escorregadio devido à umidade. Tente chegar cedo, logo na abertura às 8h30, para evitar o calor intenso do meio-dia e os grandes grupos de excursão. Não esqueça do repelente, pois a combinação de mata e água parada atrai mosquitos. E, por mais convidativa que a água azul pareça, lembre-se de que o banho é proibido em todos os lagos para garantir a preservação ambiental.

Faro a Colón

Bem pertinho do Parque Los Tres Ojos fica o Faro a Colón, um monumento gigantesco em forma de cruz. Nós optamos por não visitar, mas como ele fica na mesma região, pode ser uma opção interessante se você tiver curiosidade e tempo sobrando no roteiro.

Ele é bem polêmico, tanto pela sua arquitetura de concreto brutalista quanto pela história: foi construído para celebrar os 500 anos do descobrimento da América e dizem abrigar os restos mortais de Cristóvão Colombo - embora a Espanha conteste essa informação. Vale a pena visitar se você gosta de história e arquitetura.

Roteiro - Dia 3: Boca Chica

Se você tiver mais um dia disponível, vale a pena fazer um bate e volta na Praia de Boca Chica. Acabamos não fazendo esse passeio, preferimos passar mais um dia na cidade visitando lojas para comprar algumas coisas que faltavam para o cruzeiro. Porém, se você escolher esse passeio, recomendo pegar um uber ou contratar um transfer, pois existem alguns golpes que podem ser aplicados por lá. Essa praia fica a cerca de 30 a 40 minutos de carro do centro. Como o mar da capital não é próprio para banho, Boca Chica funciona como refúgio de fim de semana dos moradores locais.

A principal característica de Boca Chica é o mar: ele é uma verdadeira piscina natural. A água é cristalina, quentinha e tão rasa que você pode caminhar metros e metros para dentro com a água batendo na cintura. É perfeita para ficar de molho e relaxar.

A orla é repleta de restaurantes e barracas pé na areia. A experiência clássica aqui é comer um pescado frito (peixe frito) com tostones (banana frita) e yaniqueques (uma massa frita típica) olhando para o mar.

Semijoias que comprei na Calle el Conde | Foto: Julia Luiza